três homens montados
Na volta da tropeada grande
enrolando seus desejos e saudades
Na palha molhada do seu cigarro
Companheiro este que ameniza as penas
de dores que se igualam as nazarenas
riscando o carnal da alma
Pelo cansaço nem mesmo coplas,
saudades, nem mais assovios brotam
pelas bocas secas que a mais de meio dia
não sorvem mates e ainda guardam
o gosto salobro da ultima cacimba,
pousada de tantas léguas atras
depois de muito tempo, chuvas
relentos, mormaceiros.
E de suportar a dor que um homem
é capaz de sentir, o que mais
importa agora é seguir
ao encontro da querência,
xirua morena,
que no dia da partida ficou na janela
abanando uma despedida
soluçada de saudade branca
tal o lenço que enxugava o pranto dos
seus olhos verdes vendo os
tropeiros se apequenarem
em meio aos beirais da estrada
enfumaçados pela poeira levantada
das patas dos cavalos
alados nos sonhos das suas prendas
para que as distâncias se encurtassem
e mais depressa chegassem
até seus catres perfumados de alecrim
agora a estrada chegando ao fim
mal a benção da despedida e o peão
em frente ao rancho muda o semblante
uma xirua a sua espera com ares de primavera
e olhos negros, grandes de saudades
mescla um sorriso às gotas prateadas
de lagrimas puras, guardadas
pro reencontro esperado
Mas, pra dois a estrada segue, Feliz deste que teve a sorte
Teve esperas com sorrisos, a estas horas
Sorve os beijos, guardados por mais de mês
Hão de trocar desejos num quarto escuro
Com cantigas de grilos e sussurro
E certamente as luas lhe trarão certezas
do amor no choro tenro de rebentos
dois homens, e o caminho encurtando
e a cada passo chegando mais perto
das portas que aguardam mais um
com cheiro de bóia boa e gosto de lábios doces
que por alguns instantes nem sabiam
se outro dia sentiriam de volta o gosto
e o cheiro da bóia e da prenda
de longe se ouve os gritos
de felicidade dos filhos do tropeiro
por ver que o pai voltou inteiro
trazendo mimos comprados por Sorocaba,
doces de leite e goiabadas, que talvez tropearam junto
na bruaca de algum mascate vindo das minas gerais
agora só eu nessa estrada,
não tenho pressa nem namoros a me encontrar
não tenho choro de filhos a me esperar
pra mim me basta um corredor, a tropa e a estrada,
no meu rancho quase nada, não me aguarda bóia pronta,
nem mesmo lábios doces por espera
com sorrisos de primaveras que me venha dar amor
pois por mais que encontre dor, mormaceiros, temporais
me sentirei soberano por ser um qualquer vaqueano
nesses caminhos ancestrais
Francisco farias, Lua crescente, Junho de 2008