O que habita
os meus silêncios
Uma paisagens rural,
Uma cidade pequena
o campo,
cocho de sal
o ronco largo do mate
que traz no
gosto sinuêlos
do tempo que
sempre parte
e as vezes
nos larga em pelo
o que habita
os meus silêncios
é um guri pé
no chão
vem
repisando meus rastros
tentando me
dar a mão
mas o tempo
é a distância
entre o que
sou e o guri
a mão
erguida se afasta
e deixa o
tempo partir
os meus
silêncios são feitos
por essas
vozes de campo
que cantam a
vida simples
e por ser
simples, encantam
e as vezes
quebram em pedaços
como a
imagem no rio
quando se
bebe na fonte
da vida que já partiu
O que habita
os meus silêncios
São imagens amareladas
Olvidadas em gavetas
Por não mais
serem folhadas
Lugares, rostos
de antanho
Que já finaram
seus passos
aos poucos vão se apagando
cicatrizando
seus rastros
o cheiro da
lenha ardente
que fogoneia
invernos
habita os
meus silêncios
e o violão
pede versos
assim povoo
meu mundo
quando o
silêncio me chama
pra musicar nostalgias
pelas noites
gavionas
