domingo, 25 de março de 2012

MEUS OLHOS DE TAPERA

Quando te vejo, tapera bendita
Meus olhos teimam enxergar outro tempo
Talvez fantasmas  rodeiam teu cerne
Dos que por muito habitaram teu seio

um homem que tinha sonhos morenos
de ser família junto a prenda mais bela
E sol a sol foi te erguendo em paredes
Pra ser morada de muitas primaveras

Bebeu serenos forjando seu mundo
Gastou as mãos cepilhando a madeira
Porta e janela pra espera das voltas
Sombreando a tarde de alguma paineira

A noite as frestas na janela do quarto
Vinham banhar de estrelas sua linda
iluminando o corpo moreno
Que aos seus olhos era mais bela ainda

E vi as luas trazer choro manso
Na vida tenra do filho que nasce
vertendo aguada na negra retina
do homem que trazia risos na face

Depois, vi o tempo branqueando o cabelo
A idade tornando a estampa mais velha
O filho atrás de seus sonhos morenos
A  linda a seus olhos continuava tão bela

O ciclo da vida lhe cerrou os olhos
Num resto de tarde d´alguma primavera
E a morada que um dia floriu alegrias
Agora sucumbe na velha tapera
 (Chico Farias - Março de 2012)

Um comentário:

  1. Buenas amigo!
    meu nome é Neiton, sou declamador aqui do Rio Grande do Sul...
    por acaso entrei no teu e-mail e me deparei com belas poesias... realmente você possui uma grande sensibilidade na escrita... gostei muito dos teus poemas...
    não sei se você participa de festivais de poesia...mas eu participo de maneira frequente, caso tenha interesse de ingressar no meio, mantemos o contato... (neitonbperufo@yahoo.com.br)
    um grande abraço!
    e mais uma vez meus parabéns

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